quarta-feira, 29 de abril de 2009

Um bocado de coisa

*Eu já devia ter falado de um bocado de coisa que passou, to devendo um texto decente sobre 'Matou a família...' mas quando eu tive o insight tava sem computador por perto, e depois fiz a besteira de ler outro texto sobre ele excelente... aí lascou...

*Aí, ainda, depois disso já vi outro filme ainda mais doido do Bressane: O Rei do Baralho. Meu Deus, o que dizer? O Rei ducaralho (no bom sentido)?

*Hoje eu assisti uma outra obra-prima, por razões absolutamente diferentes: O Terror das mulheres, do Jerry Lewis. Simplesmente genial. Figurinos da Edith Head, esqueci quem é o diretor de arte mas é simplesmente um espetáculo, além é claro da direção incrível do Lewis que talvez tenha sido a primeira vez que eu tenha visto 'de olhos bem abertos', digamos assim.

*Outro dia me dei conta que não falei nem metade do que devia ter falado sobre a etapa Aracaju do Festival Nordeste Independente. Aliás, aqui no blog não falei nada. Um gafe terrível da minha parte. Já não há cobertura de musica (rock, então...) na imprensa sergipana e eu não só fui, como de uma certa forma ainda colaborei disponibilizando os videos que foram exibidos e depois nem uma vírgula! Pendura aí.

*Ontem teve The Baggios e Retrofoguetes no Capitão Cook. The Baggios eu só vi o final, continua muito bacana, a dupla parece mais entrosada do que nunca. Retrofoguetes dá gosto de vencer o cansaço pra assistir. Banda que funciona tanto em festivais grandes como em inferninhos - que foi o clima que o bar se transformou ontem. O trio toca muito, estão na estrada há anos, continuam incendiando a platéia e quebrando com aquele status 'uiuiui-mamãe-não-cheguem-perto- de-mim-que-eu-sou-foda'.

*A Snooze toca em Maceió dia 30/05 no festival Maio-nese, junto com Mellotrons (PE) e Mopho em sua formação original. Vai ser bom ver isso em casa, revendo velhos amigos.

terça-feira, 21 de abril de 2009

Demorei (2)

(A postagem urgente era essa, e quase chega atrasada...)


É uma dica valiosa pra quem está chegando nesse mundo da cinefilia e assim, meio que por acaso, quase sem querer, quem sabe por uma certa displicencia ou (cá entre nós, a gente não conta pra ninguém) um pouquinho de preconceito... enfim, pra quem tem o descaramento de dizer que gosta de cinema e ainda não viu nada do Hitchcock, essa é a grande chance de tirar o atraso. E começando com o pé direito.


O Mestre do Suspense (arrgh, tira esse clichê de cima de mim!) é o tema da mostra deste mês do Núcleo de Produção Digital Orlando Vieira. Foram escolhidas três obras-primas de sua melhor fase da década de 50: 'Janela Indiscreta', 'Um corpo que cai' e 'Psicose'.


Pra quem já viu, certamente não custa ver de novo. Em se tratando de Hitchcock sempre há novidades. Eu mesma tive que ver umas três vezes 'Um corpo que cai' até conseguir memorizar aquela trama labiríntica.


A abertura, amanhã (quarta, 23/04) às 19h, é mais imperdível ainda pela presença do Prof. Caio Amado (UFS, Mestre em cinema pela ECA/USP) para um debate após a exibição de 'Janela Indiscreta'.


A mostra segue na quinta com 'Um corpo que cai' e na sexta com 'Psicose'.
Sempre às 19h. De graça.


O NPDOV fica na R. Lagarto, n°2161, São José.


E saca só esse cartaz polaco de 'Vertigo' (Um corpo que cai) que eu encontrei por aí:

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Demorei demais...

...pra atualizar esse blog e muito, mas muito, muito mais pra assistir esse filme.

E, meu deus, que vergonha! Como é que eu pude ter chegado até aqui sem esse na lista?!



'Matou a família e foi ao cinema' foi dirigido por Júlio Bressane em 1969 e junto com 'O bandido da Luz Vermelha', do Rogério Sganzerla, marca o nascimento do cinema marginal.

Ok. Mais que isso há nos livros e em toda a internet...

Por nunca ter visto esse filme até hoje perdi, para pelo menos algumas dezenas de aulas, um exemplo magistral de composição e enquadramento, montagem paralela, narrativa não linear, intertextualidade e metalinguagem. Isso, no mínimo. Além disso, faz tempo que eu já podia ter respeitado a Renata Sorrah como atriz.

Eu podia falar muito mais, mas já tem outro post atrasado então fico prometendo a parte dois.

Por enquanto fica o registro do meu êxtase eisensteineano com 'Matou a família e foi ao cinema' e minha reverência eterna à Julio Bressane por esta obra-prima.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

sábado, 21 de março de 2009

NPDOV CONVIDA

Cursos:
Uma Introdução à Análise fílmica e O Surto Experimental Super-8 no Brasil
Com Prof.Dr. Rubens Machado Jr. (ECA/USP)
Início: próxima segunda feira, 23/03
Das 19h às 22h

Livre-Docente em Teoria e História do Cinema no Departamento de Cinema, Rádio e Televisão da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo, o professor Rubens Machado Jr possui graduação em arquitetura e urbanismo pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP, Mestrado e doutorado em Cinema pela ECA/USP. Atualmente é pesquisador do Centro de Estudos da Metrópole - CEBRAP e professor titular da ECA. Rubens foi curador da mostra Marginalia 70 do Itaú Cultural que rodou o Brasil exibindo uma seleção do que houve de melhor no movimento superoitista daquela década no país.

Os cursos acontecem no período da noite, das 19h às 22h, e tem duração de uma semana (20 horas) cada um, começando com o de Introdução à Análise fílmica já nesta segunda feira, dia 23/03.
Ambos os cursos são gratuitos e não há pré-requisitos para se inscrever.

As inscrições ficam abertas até segunda-feira, 23, 18h.
Daremos certificado para os dois cursos separadamente.

O Núcleo de Produção Digital Orlando Vieira fica na r.Lagarto, n.2161, São José. Tel: 3211 1505.

*NÃO ACEITAREMOS INSCRIÇÕES POR EMAIL. SOMENTE NA SECRETARIA DO CURSO.
HÁ 30 VAGAS PARA CADA UM DOS CURSOS.
ABRIREMOS LISTA DE ESPERA. DUAS FALTAS CONSECUTIVAS SERÃO CONSIDERADAS COMO DESISTENCIA E CHAMAREMOS O PRÓXIMO DA LISTA.

domingo, 15 de março de 2009

Cinema bom e de graça - Parte II


Mostra temática deste mês no NPDOV homenageia o cinema marginal de Rogério Sganzerla


Jornalista, crítico de cinema, autor do livro ‘Por um cinema sem limite’, o catarinense Rogério Sganzerla tornou-se cineasta aderindo imediatamente à estética da boca do lixo no fim dos anos sessenta, chamando a atenção ao dirigir o polêmico ‘O bandido da luz vermelha’.

Em plena época do movimento do Cinema Novo no Brasil, Sganzerla é um dos que encabeçam o movimento do Cinema Marginal em busca de pura subversão.
Este mês, a mostra temática do Núcleo de Produção Digital Orlando Vieira homenageia este que foi ‘um intelectual entre os marginais’, com três de suas produções mais emblemáticas.
Além dO bandido, a chanchada psicodélica de Copacabana Mon’Amour, e a crítica surreal de A mulher de todos integram nossa mostra que acontece próxima quarta, quinta e sexta, sempre a partir das 18h30.

O Núcleo de Produção Digital Orlando Vieira fica na R. Lagarto, n.2161, São José.
Nossas exibições são gratuitas.
Venham e tragam quantas pessoas quiserem.

Serviço – Mostra Rogério Sganzerla: um intelectual entre os marginais

Dia 18/03 – 18h30 – A mulher de todos (fic./1969/ 93’)
Dia 19/03 – 18h30 – Copacabana Mon’Amour ( fic/ 1970/ 85’)
Dia 20/03 – 18h30 – O bandido da luz vermelha (fic./ 1968/ 92’)

domingo, 8 de março de 2009

Who watches the watchmen?

Esse post está atrasadíssimo.

Assisti Watchmen no ultimo sábado numa sessão privilegiada, começando meia noite, quase ninguém na sala, todo mundo caladinho, comportado.

Não podia ter sido melhor. Acordei no outro dia ainda na vibe do filme. Mesmo com tudo que fica de fora, as duas horas e quarenta passam voando e em vários momentos eu literalmente vi a HQ tornada real, quadro a quadro, ali na minha frente.

Me arrepiava toda. É um filme para os fãs, sem dúvida.

Assim que acabou, a primeira constatação que tive foi a de que, de fato, Watchmen nunca foi uma obra superestimada. É um puta argumento, uma obra-prima, e uma pena não ter o nome do gênio-marginal Allan Moore figurando nos créditos do roteiro. Ele merecia. Incrível tudo aquilo sair da cabeça de uma pessoa só.

É muito bom o elenco não contar com nenhuma superestrela hollywoodiana. Os personagens ganham força com isso. Rorscharch e o Comediante estão simplesmente perfeitos como principais representantes da derrocada do modelo de super-heróis como fontes de virtudes inabaláveis -argumento que colocou Watchmen na vanguarda das Graphic Novels do gênero na época.

A trilha sonora é cheia de surpresinhas: Hendrix, Dylan, Leonard Cohen... nada mal mesmo.

A fotografia obedece disciplinadamente a paleta de cores da obra original. Uma coloração sépia predomina, representação de um mundo em crise. A sequencia do exílio de Jon em Marte é não só plasticamente bela como quase verossímil.

O contexto da guerra fria, que na HQ é só pano de fundo, ganha explicações quase didáticas. Compreensível, passado todo esse tempo. Com esse turbilhão de informação que circula do dia para a noite, os anos oitenta já não ficaram logo ali na esquina. Ainda bem.

O ator que faz Rorscharch quase me faz acreditar que tudo aquilo foi real. Definitivamente acertei na tatuagem. ;)

Enfim, acho que o mais importante desta adaptação é que não há desvios dramáticos radicais no roteiro. As supressões de conteúdo me parecem necessárias. Até porque se fosse possível fazer um filme tão intertextual quanto essa HQ talvez ele precisasse durar umas cinco horas. Então eu aceito a estratégia de marketing de incluir os 'Contos do cargueiro negro' nos extras do DVD. Não vejo a hora, aliás.


Mas... me digam vocês aqui uma coisa: quem vigia os vigilantes?
ou será que a pergunta é: quem assiste Watchmen?