sexta-feira, 4 de setembro de 2009

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

O macaco e a essência

Esse é o nome do livro que comecei a ler essa semana. O autor é Aldous Huxley, aquele conhecido pelas 'Portas da Percepção'.

Foi escrito em 1948 e, inspirado pelo terror pós bomba, visualiza um futuro deplorável para a humanidade. Não por acaso esse também é o ano do clássico '1984', de George Orwell.

A história se passa no Século XXII e o mundo foi completamente devastado pela Terceira Guerra Mundial que, por conta dos avanços tecnológicos, só durou 3 dias.

Bom, não terminei de ler o livro, nem contaria o resto da história se tivesse terminado. Mas o que mais me assusta é a imaginação visionária de uma nova geração que regride intelectuamente e atribui a devastação e os efeitos radioativos à Satanás, o próprio. A nova humanidade é satanista. Teme e ouva a Satã. A ordem se estabelece a partir do medo da fúria do capeta.

É uma história desconcertante. Serve como alegoria pra muita coisa que a gente vê nessa vida. A ignorância gera medo e o medo cria forças poderosas pra se justificar. A manutenção do medo é uma forma de poder.

Bem aventurados os bem informados, pois a burrice poderá nos destruir.

terça-feira, 28 de julho de 2009

Ferraro Trio

www.myspace.com/ferrarotrio

Somzão!
Estava mesmo faltando uma novidade, para além do óbvio.
Fica aí minha dica.
Eu não perco o próximo show.


terça-feira, 21 de julho de 2009

Mais de um mês depois...

e a vida dá mais um reviravolta.

de fato, a gente não tem controle... e é interessante perceber como os sinais começam a piscar pra te indicar o caminho a seguir. deixo a vida acadêmica de lado, temporariamente (eu espero), bem na hora que o que costumava ser minha principal motivação, os alunos e as aulas, insistem em não querer valer a pena.

meu principal esforço atualmente é detectar quem é mesmo meu amigo e ligar o foda-se pra quem me trata mal ou me despreza.

pergunto-me: são meus desafios profissionais que sempre são enormes ou sou quem os supervaloriza?

tenho tido uma sensação bem parecida com a que tive depois que julinha nasceu: pânico geral por medo de não dar conta.

será mesmo que é melhor assim? quem sofre menos: quem não se joga por medo ou quem se joga com medo?

outro dia, vi na televisão um professor de filosofia tentando explicar o medo. gostei da racionalização. acaba com esse sentimento cristão que é a "culpa".

fico com os existencialistas e com a luta contra o nada.

sábado, 13 de junho de 2009

black hearted

(Re)Descobri entre meus livros o do Tarkovski, 'Esculpir o tempo'. Infelizmente tarde demais para usá-lo pro tal concurso que me atormentava. Talvez nem fizesse diferença.

Mas, algumas páginas adiante, e lá estava algo definitivo:

"A idéia do infinito não pode ser expressada por palavras ou mesmo descrita, mas pode ser apreendida através da arte que torna o infinito tangível".

O infinito tangível... sempre achei interessante o paradoxo de serem as ciências "exatas" que considerassem com tranquilidade a existência de um universo "infinito".
Tão inexato isso.
E pra piorar minha vida (ou a deles), só as artes conseguem dar a dimensão tangível dessa concepção.

Nesse texto, Tarkovski está tentando explicar o que ele entende que seja a função da arte.
E logo no terceiro parágrafo já está lá, pra me fazer sentir menos sozinha neste mundo:

"De qualquer modo, fica perfeitamente claro que o objetivo de toda arte (...) é explicar ao próprio artista, e aos que o cercam, para que vive o homem e qual o significado de sua existência."

Catarse.

Começou a passar um clipe na minha cabeça com tudo que já pode ter me ajudado a entender minha existência nesse mundo. Aff, difícil.
Não é taaanta coisa assim. Mas tem um bocadinho.
Os filmes do Bergman e do Antonioni, por exemplo, sempre parecem caber em mim feito um espírito que incorpora.

Digo o mesmo pra PJ Harvey. A música e a voz dela me tocam profundamente.

Resolvi deixar aí de presente o clipe novo dela, do disco mais recente em parceria com John Parish. Não consigo parar de ouvir.

My love is black hearted.

quinta-feira, 7 de maio de 2009

deserto rosso

Nada de Kubrick.
Eu já devia saber que Antonioni era meu cineasta predileto.
E também esqueçam Blow Up.
Deserto Vermelho é a obra-síntese.
Ainda que seja da minha relação com ele, se assim preferirem.

Eu sou a Monica Vitti dizendo: "... as cores, as coisas, as pessoas... tudo me perturba".

Meu olho enxerga a dimensão estética de objetos meramente funcionais; minha alma é eventualmente arrebatada diante de inevitáveis desproporções; ruídos sonoros cotidianos me permanecem estranhos; horizontalidades e verticalidades me atravessam e me partem ao meio...
E vez por outra tudo isso nem me cabe. Ou me atrai profundamente a ponto de me dispersar.

Eu sou a Monica Vitti dizendo: "há algo muito errado na realidade e eles não me dizem o que é".

Me encontro no deserto vermelho Antonioniano.


quarta-feira, 29 de abril de 2009

Um bocado de coisa

*Eu já devia ter falado de um bocado de coisa que passou, to devendo um texto decente sobre 'Matou a família...' mas quando eu tive o insight tava sem computador por perto, e depois fiz a besteira de ler outro texto sobre ele excelente... aí lascou...

*Aí, ainda, depois disso já vi outro filme ainda mais doido do Bressane: O Rei do Baralho. Meu Deus, o que dizer? O Rei ducaralho (no bom sentido)?

*Hoje eu assisti uma outra obra-prima, por razões absolutamente diferentes: O Terror das mulheres, do Jerry Lewis. Simplesmente genial. Figurinos da Edith Head, esqueci quem é o diretor de arte mas é simplesmente um espetáculo, além é claro da direção incrível do Lewis que talvez tenha sido a primeira vez que eu tenha visto 'de olhos bem abertos', digamos assim.

*Outro dia me dei conta que não falei nem metade do que devia ter falado sobre a etapa Aracaju do Festival Nordeste Independente. Aliás, aqui no blog não falei nada. Um gafe terrível da minha parte. Já não há cobertura de musica (rock, então...) na imprensa sergipana e eu não só fui, como de uma certa forma ainda colaborei disponibilizando os videos que foram exibidos e depois nem uma vírgula! Pendura aí.

*Ontem teve The Baggios e Retrofoguetes no Capitão Cook. The Baggios eu só vi o final, continua muito bacana, a dupla parece mais entrosada do que nunca. Retrofoguetes dá gosto de vencer o cansaço pra assistir. Banda que funciona tanto em festivais grandes como em inferninhos - que foi o clima que o bar se transformou ontem. O trio toca muito, estão na estrada há anos, continuam incendiando a platéia e quebrando com aquele status 'uiuiui-mamãe-não-cheguem-perto- de-mim-que-eu-sou-foda'.

*A Snooze toca em Maceió dia 30/05 no festival Maio-nese, junto com Mellotrons (PE) e Mopho em sua formação original. Vai ser bom ver isso em casa, revendo velhos amigos.